domingo, 24 de abril de 2011

O Poder de Transformação da Leitura

 
Como um ser pensante, o ser humano, desde o início dos tempos efetivou-se como um dominador. Ele primeiro desenvolveu suas ferramentas, depois desenvolveu a linguagem articulada e por fim, construiu sua sociedade.
Seguindo o processo de evolução, a sociedade desenvolveu-se em torno daqueles que possuíam o conhecimento e, conseqüentemente, o poder para dominar aqueles que não o possuíam. Sabia-se que a principal fonte deste conhecimento era o legado deixado por outros homens, precursores que registraram suas formas de pensar através da escrita.
Essa visão foi realmente reconhecida apenas na Idade Média, onde a grande detentora de todo esse legado era a Igreja Católica, privando o homem comum de pensar por si próprio, impodo-lhe suas ideologias e, pode-se arriscar, impedindo o processo natural de evolução.
Com a Reforma Protestante e a mudança radical da forma de pensar da sociedade em geral, que não mais prestava contas ou submetia-se ao poder da Igreja, viu-se uma crescente necessidade do conhecimento, pois através dele, novamente o homem poderia usufruir do prazer de sua vida — pregado pelo protestantismo como forma de salvação — e voltar às suas origens como dominador, agora através do maior poder emergente: o dinheiro.
Assim a leitura foi um elemento que influenciou o desenvolvimento da sociedade em que vivemos e uma das grandes resposáveis pelas transformações ocorridas. Hoje ela desempenha papéis diferentes: é uma prática lúdica que colabora na imaginação, no raciocínio e inclusive na inclusão social do homem, no seu poder de argumentação, na visão crítica de mundo, na informação instantânea em tempos de globalização e até na mudança da forma de pensar dessa mesma sociedade.
Através da leitura e dos benefícios que ela proporciona — o conhecimento por excelência — é que o ser humano se transformou no que é hoje e será através dela que surgirá o ser humano de amanhã.

Para sempre

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade

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